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Falar
de um assunto MUITO importante para nós Mulheres: A Nossa Saúde.
Com
essa proposta, a entrevistada do mês de Fevereiro é Maria
Conceição Santos, a Con
para os íntimos, uma "Mulher com M
Maiúsculo".
E o tema é: Cancêr de Mama |
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Sintaliga:
Em primeiro lugar gostaríamos de agradecê-la pela sua disposição
e coragem de falar sobre um tema que não é muito comentado, mas
que faz parte do nosso dia-a-dia.
Essa entrevista serve como um alerta para as Mulheres e também, quem
sabe, para os homens que possam ter uma irmã, prima, namorada, etc...
que estejam passando por uma situação dessa.
Con: Gostaria de agradecer o convite e espero que a vivência que tive
com essa doença possa ajudar alguém que esteja passando pelo que
passei.
1.
Você fazia os exames periódicos que todas as Mulheres devem fazer
anualmente?
Con: Sim, eu sempre fui uma pessoa muito cuidadosa com a minha saúde.
Todo início de ano eu fazia um check up e agendava consulta com alguns
médicos entre eles meu ginecologista que também e mastologista
e fazia os exames de rotina.
2.
Quando/Como você descobriu que estava com Câncer de Mama?
Con:Em fevereiro de 2001, quando estava próximo de agendar nova
consulta, notei que estava acontecendo algo estranho comigo, no período
de uma semana percebi que no meu sutiã, da mama direita, havia manchas
muito pequenas de sangue, conversei com duas amigas sobre o que estava acontecendo
comigo, elas disseram que ter secreção pode até acontecer,
mas secreção com sangue não era normal e que eu agendasse
uma consulta o mais rápido possível com meu médico.
Fui ao médico e relatei o ocorrido, ele me examinou e pediu que fizesse
uma bateria de exames, quando retornei à consulta com os resultados,
pela fisionomia dele ao lê-los percebi que o caso era sério, pedi
a ele que não omitisse nada sobre o resultado. Ele explicou o que estava
acontecendo, disse que poderia ser câncer, mas que para ter certeza teríamos
que realizar uma cirurgia para biópsia, agendei a biópsia para
dois dias depois, num sábado.
Uma semana após a biópsia fui ao consultório para tirar
os pontos e saber o resultado, ele me preparou para dar a notícia e disse
que eu tinha um carcinoma intra-ductal, um tipo raro de câncer de mama
e que ainda bem que ele se manifestou através da secreção
no mamilo, pois o câncer quando descoberto logo no início tem grande
chance de cura e que ele próprio já havia passado por isso, tinha
tido um câncer na garganta e como diagnosticou logo no início e
fez a cirurgia e os tratamentos necessários, estava curado e vivendo
a vida normalmente.
3.
Qual foi a sua 1ª reação?
Con: Eu como continuava levando minha vida normalmente, naquele dia tinha
ido trabalhar e fui ao consultório sozinha, quando ele falou o resultado
da biópsia minha reação foi perguntar qual seria o próximo
passo, por que eu não tinha mais tempo a perder, tinha que correr contra
o tempo. Ele disse que teríamos que realizar uma cirurgia chamada quadrantectomia,
que é a retirada de mais ou menos um quarto da mama e o esvaziamento
da axila direita.
Saí do consultório com a cirurgia agendada, o chão parecia
que tinha sumido dos meus pés, eu não sabia se voltava para o
trabalho, se ligava para a minha família para dar a notícia, fiquei
andando sem rumo perdida nos meus pensamentos.
4.
Como foi o tratamento?
Con: Tudo aconteceu muito rápido, foram 15 dias entre a primeira
consulta e a cirurgia, fiquei internada 3 dias, no 16º dia voltei a trabalhar.
Após 45 dias da cirurgia meu médico me encaminhou a uma médica
oncologista para dar seqüência no tratamento.
A oncologista me pediu outra bateria de exames, quando retornei a consulta ela
disse que como no esvaziamento da axila os linfonodos não foram localizados,
não tinha como saber se existia metástase em outros órgãos
do corpo, e que a indicação era 4 sessões de quimioterapia
para proteger o sistema imunológico.
Quando terminei as sessões de quimioterapia, fazia uma sessão
a cada 3 semanas, ela me encaminhou para um médico especialista em radioterapia.
Esse médico solicitou que eu fizesse 28 sessões e quando terminei,
fui encaminhada novamente à oncologista.
Com a oncologista faço o controle até hoje, nos 5 primeiros anos,
no período de 6 em 6 meses realizava uma bateria de exames e também
tomava remédio a base de Tamoxifeno. Após o 5º ano parei
de tomar o remédio e agora faço os exames anualmente até
completar 10 anos, como já se passaram 7 anos ainda tenho mais 3 anos
de controle.
5.
Para quem você contou?
Con: Para a minha família e para as pessoas que eu considero minhas
amigas, tem pessoas que nem ousam falar o nome câncer de tanto pavor que
tem dessa doença, naquele momento eu precisava de energia positiva e
não de pessoas com pena de mim, não procurei grupos de apoio,
nem fiquei falando sobre o assunto, apenas toquei minha vida como sempre fiz,
preferi fazer todo o tratamento trabalhando para ocupar minha mente, porque
se ficasse de licença iria ficar pensando no assunto o tempo todo e poderia
até entrar em depressão.
6.
Como você acha que as pessoas devem lidar com uma situação
dessas?
Con: O ideal é que sigam todas as recomendações
médicas, realizem os exames, cirurgias e todo o tratamento necessário,
sei que é um tratamento invasivo, sofrido, mas que através dele
temos grandes chances de cura e de levar uma vida normal.
7.
O que mudou na sua vida?
Con: Durante essa fase repensei a minha vida, o que eu estava fazendo
com ela, as vezes a gente liga a vida no piloto automático e não
percebe as coisas que estão acontecendo, sejam elas boas ou más,
pequenas ou grandes. Hoje eu não peço nada a Deus, só agradeço
por Ele ter me dado a oportunidade de continuar vivendo, a vida é bela
nós é que não sabemos aproveitá-la.
8.
Agora, depois de 7 anos, que tudo passou como você se sente?
Con: Tudo isso que aconteceu foi um momento muito meu. Foi um momento
de reflexão, de aprendizado, de auto-conhecimento, de valorizar as pequenas
coisas, os pequenos gestos e atitudes, tive muito amor, carinho e apoio da minha
família e de amigos que estiveram ao meu lado o tempo todo, rezando,
torcendo para que tudo desse certo.
9.
Você gostaria de falar mais alguma coisa?
Con: Eu desejo que ninguém passe pelo que passei, mas tanto a
saúde quanto a doença fazem parte da vida, qualquer que seja a
doença faça o que for necessário, confie no seu médico,
no avanço da medicina e dos medicamentos, acredite na cura e tenha fé
no seu Deus.
Con,
muito obrigada pela entrevista!
Sempre te admirei a te admiro ainda mais. Te Adoro!
Beijos e Obrigada
Tat Vegi
Observação:
Se você quiser sugerir uma Mulher com M Maiúsculo para ser entrevistada
pela Sintaliga envie um e-mail para sintaliga@sintaliga.com.br
com o nome, e-mail e telefone dela e a sua justificativa. Obrigada!
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