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Diário de bordo - Capítulo 4 - Fim da viagem: Sharm El Sheik e Jordânia

Resumo
Foi um convite, sim, para estarmos juntos numa viagem através das palavras, da imaginação, da leitura.
Pela leitura, transcendemos os limites impostos, a situação financeira, o preconceito, a matéria, o tempo, a ignorância.
Pela leitura, sonhamos, enriquecemos nosso conhecimento, abrimos novas portas de ser, expandimos nossa consciência.
Ler é viajar por mundos distantes e tempos distantes, passado ou futuro.
Enviada por Regina Helene O´Reilly em 30/05/2007
De Luxor para Sharm El Sheik, das obras e história da civilização egípcia para um Egito atual e internacionalizado.
Em Sharm El Sheik, cidade litorânea de veraneio dos milionários europeus, o Egito perde suas características intrínsecas e se torna mais uma cidade badalada do mundo.
Procurada tanto pelos turistas que têm como hobby o mergulho quanto por aqueles que querem fugir das baixas temperaturas do inverno de seus paises de origem, encontram lá o sinônimo de prazer: sol, mar, gente alegre, bonita, movimento, gastronomia, lojas, cassinos, música, etc.
O sol brilhando em nossa chegada antevia os dias deliciosos que viveríamos.
Da exploração turística das etapas anteriores, passaríamos para o “far niente”, também criativo e enriquecedor.
Chegada ao Hotel Four Season, simplesmente maravilhoso. À nossa frente, o Mar Vermelho, palmeiras, montanhas de pedra rosa, e uma praia que se fechava em si.
Com tanto estímulo, não poderíamos perder tempo: deixamos as malas na habitação, trocamo-nos e fomos direto para a praia, irresistível.
Surpresa: as imagens de mulheres com burca e xador e os homens com túnicas e lenços das cidades anteriores desapareceram, surgindo mulheres com minúsculos biquínis, homens com sungas, bronzeados e extrovertidos.
Todos que ali se encontravam, incluindo-nos, haviam deixado os pensamentos preocupantes longe. Neste momento, imperavam o prazer de testemunharmos tal cenário e sermos abraçados pelos raios de sol presente, nada mais.
O fim da tarde alcançava-nos, era hora de recolhermo-nos para preparação para a noite que em breve se imporia.
Prontos, pegamos um táxi que nos deixou no ponto de badalação local.
Ruas que tinham a proibição de tráfego se cortavam, fechando um quadrilátero. Restaurantes de todos os tipos e preços com o mesmo padrão estético, diferenciavam-se pela decoração, lojas de artesanato egípcio, joalherias, butiques, imprimiam um ritmo de excitação em todos os turistas. A vida pulsava neste local. Pessoas de várias nacionalidades, cultura e costumes, nas ruas, andavam sem compromisso, vivendo o mais gostoso da vida, a leveza de ser simplesmente.
Passamos três dias neste clima de despreocupação total.

Do Egito , Sharm El Sheik para Jordânia
Jordânia, reino Hashemita, vive um regime monárquico. É um país neutro politicamente nos conflitos do Oriente Médio, fazendo fronteira com o Iraque e Israel, países em guerra. A religião é o Islamismo. A capital é Amman.
A Jordânia foi o único país do Oriente Médio que deu cidadania aos palestinos; os outros, consideram-los refugiados.
Um guia nos esperava no aeroporto de Amman, Sami, palestino com cidadania jordaniana, mas que se sentia essencialmente de corpo e alma palestino. Ele nos contou durante o percurso aeroporto–hotel particularidades e dados da Jordânia, contou-nos também que havia morado em Chicago e Santiago de Compostella, onde seu irmão possui um hotel.
Desde o primeiro momento que o conheci, percebi que teria, a partir daquele instante, um companheiro para discussões políticas e religiosas.
E foi o que aconteceu, realizei-me através dele em alguns dos assuntos que mais me encantam. Sami se tornou um amigo.
O reconhecimento de Amman ia sendo feito: largas avenidas, limpas, com belos prédios e casas que mantinham o padrão de construção, suas paredes eram de pedras brancas. Em nenhum momento, do aeroporto ao hotel, Intercontinental, a pobreza apareceu aos nossos olhos.
A constatação inicial se solidificou; a Jordânia diferenciava-se em muito do Egito, mulheres vestidas de forma ocidental, bem vestidas com grifes e maquiagem, e homens com terno, pareciam todos executivos, ocidentalizados, grande maioria avistada por nós.
Dia seguinte: Petra, a razão de nossa escolha em conhecer a Jordânia.
Petra é a interação da natureza com a arte. Monumentos escavados nas pedras rosas compõem uma arte viva, em local arqueológico enorme que necessita de, pelo menos, dois dias para se conhecer.
Pedras gigantes, rosas, dão a sensação de encontrarem o céu.
As–Siq, entrada principal de Petra é uma impressionante garganta, estreita e profunda de 1200mts de altura.
Al Khazneh, o tesouro, um monumento encravado na própria pedra, numa fachada de 30 metros e 43 metros de altura, com estilo arquitetônico helenístico, do séc. I a.c, foi escavada para tumba de um importante rei Nabateo (tribo árabe que se instalou na região).
Quando Al Khazneh surgiu aos nossos olhos, o impacto de tamanha maravilha cessou nossas respirações por instantes. Aquela visão brindou o dia.
Após 2 dias em Petra, retornamos para Amman. De Amman sairíamos de carro para vários passeios: Wadi Rum, Madaba, Monte Nebo.
Sami nos pegou no hotel para conhecermos Wadi Rum, o deserto onde Lawrence D´Arabia , T.E., reuniu as tribos árabes.
Wadi Rum é uma das maiores e mais magníficas paisagens desérticas.
Após duas horas de carro, paramos no escritório de venda do passeio, onde um beduíno gordo e grande, Abdulah, levar-nos-ia em um Jeep 4 por 4 para o nosso destino.
Vale desértico de surpreendente beleza onde se elevam subitamente montanhas de pedras de 1854 metros de altitude. O local ainda preserva alguns beduínos que mantêm os costumes de seus antepassados: vivem em tendas como nômades. Pudemos ter o prazer de ser recebidos pelo chefe beduíno que, como nosso anfitrião, ofereceu-nos o chão coberto de tapete para sentarmos e bebermos o café que estava sendo preparado em fogueira a nossa frente. A sensação foi única, sem comentários.
De Wadi Rum para Madaba, a cidade dos mosaicos e Monte Nebo, local que Moisés foi enterrado.
Madaba, cidade citada diversas vezes no Antigo Testamento, com 4500 anos, guarda na Igreja Grega Ortodoxa de São Jorge, o mais antigo mapa mundi da humanidade, um mapa de mosaico bizantino do séc. VI.
Hoje em dia, a cidade tem no produto artesanal mosaico a sua fonte de riqueza. Grandes oficinas empregam a população local; desta população trabalhadora, muitos deficientes participam. Grupo de turistas europeus visitavam-nas para aquisição das peças, muitas vezes despachadas por avião pelo tamanho.
De Madaba, partimos para o Monte Nebo, lugar venerado, pois se o presume ser o local onde Moisés morreu e foi sepultado.
Em seu promontório, onde se avista o Vale do Rio Jordão, Jericó, e as colinas de Jerusalém, Moisés contemplou a Terra Prometida. Como Madaba, o Monte Nebo e vários locais da Jordânia foram cenários de diversas passagens bíblicas, incutindo em nossas impressões um ar místico e sagrado. Imaginar que estamos em solo que se desenrolou histórias bíblicas, emocionou-nos até a alma original.
O sol começava a se pôr quando retornamos a Amman; voltaríamos ao Brasil via Roma, no dia seguinte. Era preciso descansarmos de tantas e surpreendentes emoções. Era preciso adaptarmo-nos à ausência destas vivências complexas, especiais, enriquecedoras.

Era preciso voltar à realidade : Brasil.
Caros amigos, vocês deverão estar pensando que, infelizmente, uma grande maioria de vocês, de nós brasileiros, jamais terá a oportunidade de viver o que eu pude viver; então, qual a razão do Diário de Bordo, questionarão.
Posso garantir-lhes que, em nenhum momento, o Diário de Bordo teve a intenção da propaganda turística nem teve, como escopo, o estímulo a escolha destes lugares descritos como destinos de viagem pois, como poderia estimular algo que não será alcançado pela grande massa brasileira.
Foi um convite, sim, para estarmos juntos numa viagem através das palavras, da imaginação, da leitura.
Pela leitura, transcendemos os limites impostos, a situação financeira, o preconceito, a matéria, o tempo, a ignorância.
Pela leitura, sonhamos, enriquecemos nosso conhecimento, abrimos novas portas de ser, expandimos nossa consciência.
Ler é viajar por mundos distantes e tempos distantes, passado ou futuro.
E melhor, nesta viagem, nem precisamos de bagagem, somente um livro.

Portanto, viajemos, muito.

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No Brasil, em 1991, as mulheres com 8 anos ou mais de estudo correspondiam a 35,1% do total de mulheres na faixa etária de 15 a 49 anos (idade reprodutiva). Em 2004, esse percentual alcançou 58,5%. Fonte: IBGE

 

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