|
Em
homenagem ao Dia das Crianças (12/10),
o tema escolhido para o Mês de Outubro
é Mamãe de uma Criança Especial.
A
nossa entrevistada é Fernanda Antonia de Oliveira
Marques Henrique, uma Mulher com M
Maiúsculo.
Ela
gosta de ser chamada de Fernandinha, é casada com o Luiz e tem 2 filhos,
o Victor e a Natália.
1. Sintaliga: Qual dos seus dois filhos tem Síndrome
de Down? Quantos anos ele tem?
Fernandinha: A Natália e ela completou 13 anos no último sábado,
29/09/2007.
2. Sintaliga: Voltando
um pouco no tempo... quando descobriu que a Natália era uma Criança
Especial? Poderia nos contar como foi esse momento?
Fernandinha: Meu marido ficou sabendo imediatamente depois que ela nasceu, pois
a Obstetra já percebeu na hora do parto. Ele quase morreu, ligou para
a pediatra do Victor, nosso filho mais velho, e ela veio correndo para a Maternidade.
Eu fiquei sabendo do pior jeito possível, pois não tinha percebido
nada durante o parto e estava muito feliz com a minha Menininha. O "Momento
da Notícia" (assim é o termo correto utilizado) foi horrível,
arrasador. O médico entrou na sala e me disse: "Sua filha tem Síndrome
de Down". O ideal é que no "Momento da Notícia"
esteja presente uma "Mãe/Pai de Apoio".
3. Sintaliga: Você fez
algum exame durante a gravidez para saber se a Natália tinha Síndrome
de Down?
Fernandinha: Durante a gravidez não fiz nenhum exame para saber isso,
por que a minha Ginecologista disse que como era o meu 2º filho não
precisava. Essa Teoria está completamente errada!
4. Sintaliga: Como foi o momento de sair do hospital?
Fernandinha: Saímos do hospital muito fragilizados, mas com a certeza
de que iríamos fazer todos os exames e tudo o que fosse necessário.
5. Sintaliga: Qual Associação você
procurou?
Fernandinha: A APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais)
de São Paulo, que é uma Associação onde vai quem
pode e quem não pode pagar. Para saber mais, acesse: http://www.apaesp.org.br/apaesp/script/templates/GCMRequest.do?page=1
6. Sintaliga: Qual foi a primeira
assistência que a Natália teve?
Fernandinha: A Estimulação
Precoce (http://www.apaesp.org.br/apaesp/script/templates/GCMRequest.do?page=78&entryID=67)que
oferece atendimentos terapêuticos para crianças com idade entre
0 e 7 anos.
As crianças participam de experiências motoras, sensórias,
sociais e educacionais capazes de promover seu desenvolvimento global e são
atendidas por profissionais das áreas de Fisioterapia, Psicologia, Terapia
Ocupacional e Fonoaudiologia , e as mães é que são atendidas
pela psicóloga.
As
atividades são realizadas individualmente ou em grupo e os pais também
são envolvidos no processo, reforçando os vínculos familiares,
e dividindo com eles maneiras de estimular a criança.
7. Sintaliga: Como é a saúde de uma Criança
Especial?
Fernandinha: Ela tem maior probabilidade de apresentar um comprometimento da
saúde em virtude de alterações congênitas e predisposições
características da síndrome. As cardiopatias congênitas
estão presentes em grande parte dos casos. A Natália não
precisou fazer cirurgia para corrigir o seu coraçãozinho. Um fato
que antigamente acontecia era que as crianças com Síndrome de
Down ficavam atrás das "crianças normais" na fila para
cirurgia cardíaca e isso ocasionava muitas mortes precoces. Hoje a fila
funciona de forma diferente.
8. Sintaliga: A Natália
frequenta a Escola? Em que ano ela está?
Fernandinha: Sim, desde que era uma bebê ela frequentava a crechê
da AABB (Associação Atlética Banco do Brasil). Depois foi
para o Costa Braga e agora está no Colégio Friburgo. Ela está
no 6º ano e no Colégio Friburgo tem 1 criança deficiente
por sala. Participar do ensino regular é algo muito bom para a socialização
dela e dos amigos. Os quais a respeitam e gostam muito dela. Ela tem consciência
de que é Especial e que tem algumas limitações. As diferenças
sempre vão existir e temos que respeitá-las!
10. Sintaliga: Qual é o seu maior medo?
Fernandinha: Morrer. Tenho medo de quem poderá ficar com ela quando eu
e o meu marido morrermos.
9. Sintaliga: Qual a sua maior alegria?
Fernandinha: Estávamos na missa e então a Natália me disse:
" Mãe, A Í A", então eu disse "SAÍDA,
isso mesmo agora nós vamos sair pela saída", esse momento
me mostrou que a minha filha conseguia ler, entender e compreender o mundo a
sua volta. O que lhe abriu muitos horizontes. A leitura é importante
para todo ser humano.
10. Sintaliga: Uma pessoa com Síndrome de Down pode trabalhar?
Fernandinha: Claro que sim, inclusive muitas são arrimo de família.
11. Sintaliga: Você gostaria de colocar alguma coisa que não
foi perguntada?
Fernandinha: Sim, na verdade algumas:
- Os Portadores de deficiência física, visual, mental ou autista
poderão ficar isentos do pagamento do ICMS (imposto sobre circulação
de mercadorias) na compra ou venda de veículos automotores
- A Síndrome de Down é uma deficiência mental e não
uma doença mental
- Mongolóide é uma expressão totalmente pejorativa e em
desuso para se referir a um deficiente mental
- Muitas Mamães Especiais são abandonadas por seus maridos, pois
os mesmos a consideram culpadas pela deficiência do filho, o que não
é verdade
- Agora vamos entrar em uma nova fase, pois a Natália já é
uma Mocinha
Fernandinha,
muito muito obrigada pela entrevista! Desejamos
tudo de bom para você e sua Família.
Natália, parabéns para você! Muita
paz, saúde e amor. Você merece!!!
A Sintaliga e as Mamães Especiais agradecem!!!
Observação: Se você quiser
sugerir uma Mulher com M Maiúsculo para ser entrevistada pela Sintaliga
envie um e-mail para sintaliga@sintaliga.com.br
com o nome, e-mail e telefone dela e a sua justificativa. Obrigada!
Voltar
|