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Reuniões - Um problema secular presente em nossos dias

Resumo
Questiono, sinceramente, a necessidade delas em nossos dias diante de tantas facilidades tecnológicas. E acho que não é elegante viver fora de sintonia com o mundo contemporâneo...
Enviada por Célia Leão em 24/07/2009
Em 1982 eu trabalhava em uma empresa multinacional e, pela primeira vez em minha vida, fui apresentada às reuniões: demoradas, improdutivas, desperdiçadoras de tempo. E logo se espalhou a minha fama de um ser avesso a reuniões. Era só chegar o final do ano e pronto: lá vinham as tais reuniões para o orçamento do próximo ano (que lá chamavam de reuniões para o Budget - já repararam que, mesmo estando no Brasil as empresas adoram usar expressões em outros idiomas? - isso é falta de imaginação e educação: se a palavra tem similar em português, que se adote o nacional; na hora de se enviar o plano para a matriz, que as coisas sejam traduzidas, ora bolas!). Reuniões essas que duravam dois ou três dias e que, sem tanta falação desnecessária e com muita objetividade, poderia ser feita em um dia só.
O tempo passou, mudei de atividade e trabalhei em uma empresa de informática em que tudo era prático, objetivo e rápido: inclusive as reuniões.
Estamos em pleno século XXI. É generalizada a reclamação de todos sobre a falta de tempo - mal que aflige e faz padecer a todos nós. E, ainda assim, com recursos como as teleconferências, a Internet rápida, as vídeo-conferências , algumas empresas ainda adoram as tais reuniões...
Em 1987, ganhei de presente de meu marido um livro muito divertido ( e cheio de verdades) chamado "ODEIO REUNIÕES", escrito por Stephen Baker e ilustrado pelo Jaguar - acho que é o livro de humor mais sério que já li em toda a minha vida.
Sei que existem momentos em que elas, as reuniões, se fazem necessárias. E quando sinto que uma reunião foi produtiva e decisiva sou a primeira a ficar contente com ela mas, Cícero, o grande filósofo, já dizia: "A virtude está no meio".
Assim, antes de uma reunião, leve em conta alguns pontos
- a reunião é mesmo necessária ou através de uma conversa telefônica o assunto não poderia ser elucidado?
- São necessárias anotações e compromissos escritos? - será que e-mails não poderiam resolver esses problemas?
- Você já conhece a pessoa? Que tal uma teleconferência ou uma videoconferência? Tento não ser intransigente em meus pontos-de-vista e sou a primeira a admitir que em alguns casos, o primeiro contato deve se dar pessoalmente. Também sei que existem assuntos e estratégias que só podem ser abordados e traçados pessoalmente. E quando é um desses casos, prontamente reservo tempo em minha agenda e compareço (pontualmente..) à reunião.
Percebo, porém, que em algumas empresas a cultura das reuniões é algo crônico e arraigado à forma das pessoas trabalharem e que, na maior parte das vezes, os assuntos não justificam a reunião. As dita-cujas começam com atraso, gasta-se em média vinte ou trinta minutos com assuntos "sociais" e acontecimentos que somente dizem respeito à vida pessoal dos profissionais, ninguém ouve com atenção e assuntos já abordados precisam ser repetidos, o tempo todo ocorrem conversas paralelas, etc.
Minha agenda, graças a Deus, é comprometida a maior parte do tempo. E percebo que algumas pessoas fazem questão absoluta de não entender isso. Tenho pensado, pensado, pensado e acho que cheguei a uma conclusão: vou passar a cobrar pelo meu tempo em reuniões porque, dessa forma, deixo livre alguns dias para esse tipo de atividade e, todas aquelas que me parecerem desnecessárias, repetitivas ou dispensáveis, entram na lista de atividades com hora remunerada. Acho que se todos os profissionais passassem a adotar essa estratégia, 60% das reuniões não aconteceriam mais porque o melhor jeito de não desperdiçarmos tempo é remunera-lo com os valores que nos pareçam o justo. Dessa forma eu acredito que as pessoas passariam a respeitar mais seu próprio tempo de trabalho.E o tempo daqueles que querem trabalhar - mas não conseguem. Porque o tempo todo têm de estar presentes à reuniões.
Questiono, sinceramente, a necessidade delas em nossos dias diante de tantas facilidades tecnológicas. E acho que não é elegante viver fora de sintonia com o mundo contemporâneo...
Autor: Célia Leão www.etiquetacelialeao.com.br, publicado com autorização.

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No Brasil, em 1991, as mulheres com 8 anos ou mais de estudo correspondiam a 35,1% do total de mulheres na faixa etária de 15 a 49 anos (idade reprodutiva). Em 2004, esse percentual alcançou 58,5%. Fonte: IBGE

 

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